terça-feira, 19 de julho de 2011

Canção da Vida


"A vida é louca

a vida é uma sarabanda

é um corrupio...

A vida múltipla dá-se as mãos como um bando

de raparigas em flor

e está cantando em torno a ti:

Como eu sou bela amor!

Entra em mim, como em uma tela de Renoir

enquanto é primavera, enquanto o mundo não poluir o azul do ar!

Não vás ficar não vás ficar aí...

como um salso chorando na beira do rio...

(Como a vida é bela! como a vida é louca!) "

Mário Quintana

terça-feira, 5 de julho de 2011

Love's the only rule


"I don't give a damn how it's supposed to be
That might work for you, it don't work for me
You write your truth and I'll write mine
One man's ceiling's another man's sky high

Flying like an aeroplane
Crying like the lonely whistle of a long black train
Dance in the pouring rain
Spit in the eye of a hurricane
Who said life's got to be so cruel
Love's the only rule

It's written in the stars where I fit in
It's going to hurt sometimes, you got to lose to win
You got your sins and I got mine
Sell your secrets, kiss them all goodbye

Flying like an aeroplane
Alive like a lonely note from John Coltrane
Run like it's a getaway
Say those things that you shouldn't say
Think about it, wouldn't it be cool?
Love's the only rule

Might be a wrecking ball
Or just a wake up call
Don't matter where the pieces fall.."

JBJ Always

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Amanhã Colorido



"Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir
Lembre que hoje vai ter pôr do Sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!
Não desista de quem desistiu
Do amor que move tudo aqui
Jogue bola, cante uma canção
Aperte a minha mão
Quebre o pé, descubra um ideal
Saiba que é preciso amar você
Não esqueça que estarei aqui
E corra, corra!
Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento
Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir
Lembre que hoje vai ter pôr do Sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!
Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento..."

Duca Leindecker

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Horizontes





"Há muito tempo que ando
Nas ruas de um porto não muito alegre
E que no entanto
Me traz encantos
E um pôr-de-sol lhe traduz em versos
De seguir livre muitos caminhos
Arando terras, provando vinhos
De ter idéias de liberdade
De ver amor em todas idades
Nasci chorando, moinhos de vento
Subir no bonde, descer correndo
A boa funda de goiabeira
Jogar bulita, pular fogueira
Sessenta e quatro, sessenta e seis, sessenta e oito um
mau tempo talvez
Anos setenta não deu pra ti
E nos oitenta não vou me perder por ai
não vou me perder por ai
não vou me perder por ai"

Letras: Elaine Geissler

sábado, 11 de junho de 2011

Joan Baez


Flores pelo caminho...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Chinelos na Areia



"Não tive medo de fracassar na vida. Isso não! Eu sempre me senti o próprio fracasso. Seria desnecessário me assombrar. Restava-me não ser descoberto com facilidade. Fingi que escutava, que estava presente, que me interessava pela minha história.

No fundo, não contei com outra alternativa. Acreditei em mim porque ninguém iria acreditar em meu lugar. Como desejava que algum colega tivesse feito o difícil trabalho de confiar em mim e me dado um pouco de folga. Queria dizer “cuide de minha vida, que já volto”, assim como quem deixa um par de chinelos na areia para mergulhar.

Apartar-me um pouco da briga louca que é provar a todo momento que tenho sentido. Desde que nasci, não encontrei descanso, sujeito a perder a qualquer instante o respeito. Receio de perder os irmãos, os pais, a mulher, os filhos, os amigos. Perder a chance de ser lembrado. Perder a si por incompetência, já que não me ensinaram a ser o Fabrício(*). Deram-me um nome e me acostumei a atender os chamados para aplacar a fome e a sede. Não tive mérito, um cão faria o mesmo por necessidade.

A solidão foi o meu caráter. Descobri que não é se matando que me tornarei importante em minha vida. Não é me abandonando que me tornarei importante em minha vida. Não é fugindo que me tornarei importante em minha vida. É amando o que me faltava amar: eu. Ali, escondido, mirrado, o menino que gostaria de ter sardas e ser ruivo, que passava horas sozinho para não ser obrigado a interromper o assobio. Não sou de chorar. Quando estremeço, sou de abraçar, de costas para as lágrimas.

Nasci sem expectativas. Não diria que conformado, que nunca fui. Mas é como se estivesse em desvantagem. Demoro para aprender. Eu tentava, mas um pensamento ficava atrás, saía do ritmo e não havia como buscar a turma depois. Consentia com a cabeça para não atrapalhar a lição. Não aceitava abandonar pensamentos de repente enquanto todos se apressavam em anunciar resultados. Não sobrei em casa, careci. Durmo até hoje encolhido. Achava a cama de solteiro espaçosa. Batia-me a culpa por desperdiçá-la. Um degrau me contentaria.

Raramente consigo me recordar da infância. Meus três anos? Meus quatro anos? Meus cinco anos? Só com hipnose e ainda duvido. Escrevo não por excesso de memória, pela fartura de vivência e aventura, e sim pela precariedade dela. Anoto compromissos em agendas antigas, atrasado em preencher os dias em que não vivi. Invento lembranças para não parecer tão à toa e de passagem por aqui. Tão a esmo. Tão vadio. Ser processado por desviver e povoar um nome sem propósito e ambição. Faço um esforço para me mostrar ocupado, que nenhum emprego me faria suar dessa forma. Nas redações escolares, odiava temas como “conte-me suas férias”. Era capaz de plagiar os alegres veraneios da menina ao lado. Minhas mentiras são necessárias pelo simples fato de que não existem recordações para substitui-las. Em apuros, tomo a memória de meus irmãos como se fosse minha.

Amadurecer é não estar preparado. Quem afirma o contrário envelheceu antes de amadurecer."

por Fabrício Carpinejar, retirado do livro Borralheiro, 2011.

Adoro esse texto :-)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

As estrelas (Olavo Bilac)


"Quando a noite cais, fica à janela,
E contempla o infinito firmamento!
Vê que planície fulgurante e bela!
Vê que deslumbramento!
Olha a primeira estrela que aparece
Além, naquele ponto do horizonte ...
Brilha, trêmula e vívida... Parece
Um farol sobre o píncaro do monte.
Com o crescer da treva,
Quantas estrelas vão aparecendo!
De momento em momento, uma se eleva,
E outras em torno dela vão nascendo.
Quantas agora! ... Vê! Noite fechada ...
Quem poderá contar tantas estrelas?
Toda a abóbada esta iluminada:
E o olhar se perde, e cansa-se de vê-las
Surgem novas estrelas imprevistas
Inda outras mais despontam ...
Mas, acima das últimas avistas,
Há milhões e milhões que não se contam ...
Baixa a fronte e medita:
— Como, sendo tão grande na vaidade,
Diante desta abóbada infinita
É pequenina e fraca a humanidade!"